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Especial AU 2026 | A visão da NTI Brasil: como dados conectados, PLM e IA estão transformando a engenharia

Marketing • Criado em: 20/10/2026 8:54


Na terceira parte desta série especial, Paulo Santos, Head de Design e Manufacturing na NTI Brasil, compartilha os aprendizados de sua participação como palestrante no Autodesk University 2026 e analisa como PLM, Digital Thread e inteligência artificial estão redefinindo o futuro da engenharia.

Este é o terceiro artigo da série Especial AU 2026 | A visão da NTI Brasil, que reúne diferentes perspectivas da equipe da NTI Brasil sobre os principais aprendizados do Autodesk University 2026.

Na primeira parte, Léo Onuchic, Diretor Adjunto da NTI Brasil, explorou os impactos da inteligência artificial, dos dados conectados e da convergência entre tecnologias que estão moldando o futuro da engenharia. No segundo artigo, Kelly Tonon, Gerente de Contas Estratégicas da NTI Brasil, trouxe uma visão voltada ao relacionamento com clientes, à transformação dos mercados e ao papel das pessoas em meio às mudanças tecnológicas.

Agora, é a vez de Paulo Santos, Head de Design e Manufacturing na NTI Brasil, compartilhar sua experiência no evento a partir de uma perspectiva única: além de acompanhar as principais novidades apresentadas pela Autodesk, ele também participou como palestrante, levando ao palco do AU 2026 um case brasileiro de transformação digital.

Durante o evento, Paulo apresentou, ao lado de Carlos Alberto da Silva, Engenheiro Mecânico e Projetista Mecânico da Modular Data Centers, uma experiência que demonstra como a integração entre engenharia, dados e processos pode gerar ganhos concretos para o negócio. A apresentação mostrou como diferentes tecnologias e disciplinas podem trabalhar de forma conectada, criando uma base sólida para acelerar a inovação e aumentar a eficiência operacional.

Mais do que uma discussão sobre ferramentas, a participação no AU reforçou uma reflexão importante: a próxima evolução da engenharia não depende apenas de novas tecnologias. Ela depende da capacidade das organizações de conectar pessoas, processos, informações e decisões ao longo de todo o ciclo de vida do produto.

“Na nossa visão, o próximo salto da engenharia digital depende da capacidade de transformar dados conectados em decisões melhores, processos mais eficientes e resultados mensuráveis para o negócio.”

Paulo Santos 
Head de Design e Manufacturing na NTI Brasil

 

A engenharia industrial entra em uma nova fase

Ao longo das últimas décadas, a indústria investiu fortemente em soluções para projetar melhor, automatizar tarefas e gerenciar informações técnicas. Esses avanços permitiram aumentar a produtividade e elevar o nível de qualidade dos projetos.

Agora, um novo desafio começa a ganhar relevância.

As empresas precisam conectar disciplinas, sistemas e processos para que as informações fluam de maneira consistente entre diferentes áreas. A engenharia não pode mais trabalhar isolada da manufatura, do suprimento, da qualidade ou da operação.

Em praticamente todas as organizações industriais existe uma grande quantidade de dados distribuídos entre diferentes plataformas. Modelos CAD, listas de materiais, documentos, requisitos, especificações, informações de fornecedores, processos produtivos e registros de manutenção coexistem em sistemas que nem sempre compartilham contexto entre si.

Quando isso acontece, as equipes passam a depender de buscas manuais, planilhas paralelas, troca de e-mails e conhecimento individual para reconstruir as informações necessárias para tomar decisões.

O resultado normalmente aparece na forma de retrabalho, atrasos, inconsistências de dados e dificuldade para avaliar impactos.

O AU 2026 reforçou que o futuro da engenharia passa justamente pela capacidade de reduzir essas barreiras e transformar informações dispersas em conhecimento acessível para toda a organização.

 

PLM: muito além da gestão de documentos

O conceito de Product Lifecycle Management (PLM) evoluiu significativamente nos últimos anos.

Embora ainda seja frequentemente associado ao controle de documentos, revisões e estruturas de produto, seu papel estratégico vai muito além dessas funções.

Na prática, o PLM cria uma estrutura capaz de conectar informações, processos, responsabilidades e decisões ao longo de todo o ciclo de vida do produto.

Um equipamento industrial envolve requisitos, componentes, fornecedores, processos de fabricação, documentação técnica e estratégias de manutenção. Uma única alteração pode gerar impactos em múltiplas áreas da empresa.

Quando essas informações permanecem fragmentadas, cada equipe passa a enxergar apenas parte do contexto. Já quando os dados estão organizados e conectados, torna-se possível compreender melhor os impactos das mudanças e garantir maior rastreabilidade das decisões.

Por esse motivo, o valor do PLM não está apenas em armazenar informações.

Seu verdadeiro diferencial está em garantir que a informação certa esteja disponível para a pessoa certa, no momento certo.

Além disso, o PLM cria uma base importante para a integração entre ferramentas de engenharia, sistemas corporativos e iniciativas de transformação digital mais amplas.

Para as lideranças, isso significa maior previsibilidade, processos mais estruturados e melhor capacidade de adaptação diante das mudanças.

 

Case Modular: uma experiência brasileira apresentada no palco do AU 2026

Um dos momentos mais marcantes da participação de Paulo no Autodesk University 2026 foi a apresentação do case da Modular Data Centers, empresa brasileira especializada em soluções modulares para ambientes críticos.

Ao lado de Carlos Alberto da Silva, Engenheiro Mecânico e Projetista Mecânico da Modular, Paulo apresentou para a comunidade internacional de Design & Manufacturing uma jornada de transformação digital baseada na integração entre engenharia, BIM, PDM, PLM e processos corporativos.

O projeto envolveu a adoção de tecnologias como Autodesk Inventor, Autodesk Vault PLM, Revit, Forma e SAP ERP, criando uma estrutura capaz de conectar diferentes disciplinas e reduzir a fragmentação das informações.

Mais do que implantar novas ferramentas, o objetivo foi construir uma operação integrada, onde os dados de engenharia pudessem apoiar processos corporativos e tomadas de decisão de maneira mais eficiente.

Em projetos de data centers modulares, essa integração se torna especialmente relevante. Equipamentos, estruturas, documentação técnica e requisitos precisam permanecer alinhados durante toda a evolução do projeto.

A partir dessa estratégia, a empresa alcançou resultados expressivos:

  • 40% de aceleração no time-to-market 

  • 50% de redução de retrabalho 

  • 75% de redução no tempo de elaboração de desenhos

  •  

Esses indicadores devem ser analisados dentro do contexto específico do projeto e dos critérios utilizados pela organização. Ainda assim, demonstram como a integração entre pessoas, processos e tecnologia pode gerar impactos concretos para o negócio.

Além dos resultados obtidos pela Modular, a apresentação teve um significado especial por levar um case brasileiro ao maior evento mundial do ecossistema Autodesk.

Mais do que compartilhar números, Paulo e Carlos mostraram como empresas brasileiras estão desenvolvendo iniciativas relevantes de transformação digital e contribuindo para as discussões globais sobre o futuro da engenharia.

 

Inteligência artificial: o diferencial está no contexto

A inteligência artificial foi um dos temas mais presentes ao longo do AU 2026.

Mas existe uma diferença fundamental entre utilizar IA para responder perguntas genéricas e aplicá-la em ambientes de engenharia.

Projetos de engenharia dependem de contexto. Uma resposta aparentemente correta pode não ser adequada para determinada configuração de produto, versão de projeto ou conjunto de requisitos.

Para apoiar de fato o trabalho dos profissionais, a inteligência artificial precisa compreender informações relacionadas a documentos, revisões, estruturas de produto, regras de negócio, requisitos e processos internos.

Por isso, a qualidade dos dados e a governança da informação tornam-se fatores decisivos.

Durante o evento, as evoluções apresentadas para o Autodesk Assistant, Assistant Builder e AI Orchestrator apontaram justamente para essa direção: conectar inteligência artificial aos fluxos de trabalho e ao contexto real das empresas.

Essa abordagem abre possibilidades para:

  • Localizar informações com maior rapidez;

  • Reduzir atividades repetitivas;

  • Apoiar análises técnicas;

  • Melhorar a tomada de decisão;

  • Conectar informações distribuídas entre diferentes sistemas.

  •  

Mas existe uma pergunta que precisa ser respondida antes mesmo da escolha de qualquer solução de IA:

As informações da empresa estão organizadas, conectadas e acessíveis o suficiente para que a inteligência artificial possa gerar valor real?

Essa é uma questão que conecta diretamente as iniciativas de inteligência artificial às estratégias de PDM e PLM.

Sem dados estruturados, não existe contexto. Sem contexto, o potencial da IA fica limitado.

 

Agentic PLM: uma nova evolução para os processos de engenharia

Entre os conceitos que mais chamaram atenção no AU 2026 está a evolução do Fusion Manage em direção ao que a Autodesk apresentou como Agentic PLM.

A ideia é ampliar a atuação da inteligência artificial dentro dos processos de engenharia por meio de agentes capazes de auxiliar atividades relacionadas à interpretação de informações, análise de impactos e coordenação de tarefas.

Imagine uma situação comum no ambiente industrial: um componente precisa ser substituído. Antes de aprovar a mudança, é necessário identificar onde ele é utilizado, quais produtos serão impactados, quais fornecedores estão envolvidos, quais documentos precisam ser revisados e quais equipes deverão participar do processo.

Tradicionalmente, grande parte desse trabalho depende de consultas manuais e interação entre diferentes áreas.

Com a evolução do Agentic PLM, parte dessas atividades poderá ser assistida por agentes de inteligência artificial conectados aos dados da organização.

Isso não significa eliminar a tomada de decisão humana. Pelo contrário, o objetivo é reduzir esforço operacional, ampliar a visibilidade das informações e fornecer mais contexto para que os profissionais possam tomar decisões melhores.

Para Paulo, essa visão representa uma mudança importante na evolução do PLM.

A plataforma deixa de atuar apenas como um ambiente de controle e gestão para também apoiar a interpretação das informações e a coordenação do trabalho.

 

Digital Thread: conectando informações ao longo de todo o ciclo de vida

Outro tema amplamente discutido durante o AU 2026 foi o conceito de Digital Thread.

A proposta é criar continuidade entre todas as informações relacionadas ao produto, desde sua concepção até sua fabricação, manutenção e evolução.

Na prática, isso significa reduzir as barreiras entre o que foi projetado, aprovado, produzido e utilizado ao longo do ciclo de vida.

Quando existe essa continuidade, torna-se mais fácil compreender impactos, reutilizar conhecimento e promover colaboração entre diferentes áreas da organização.

O Digital Thread também cria uma base importante para ampliar o uso de automações, análises avançadas e inteligência artificial.

No entanto, conectar sistemas não é suficiente. As empresas precisam definir responsabilidades, governança, regras de acesso e padrões para que essa integração gere valor real.

Por isso, a jornada normalmente começa pela organização dos dados e evolui gradualmente em direção a iniciativas mais amplas de transformação digital.

 

O que essa evolução significa para os líderes de engenharia?

As discussões do AU 2026 mostraram que a transformação digital não deve começar pela tecnologia, mas pelos desafios de negócio.

Questões como:

  • Quanto tempo as equipes gastam procurando informações?

  • Como os impactos das mudanças são avaliados?

  • Onde existe retrabalho?

  • Quais processos dependem excessivamente de conhecimento individual?

  • Como a integração entre engenharia, qualidade, compras e manufatura pode ser aprimorada?

  • Quais atividades poderiam ser facilitadas por inteligência artificial?

São essas perguntas que ajudam a construir uma estratégia sustentável de transformação.

Mais importante do que implementar tecnologia é garantir que ela gere resultados percebidos pelas áreas de negócio.

 

O papel da NTI Brasil na transformação da engenharia

Para Paulo, os debates apresentados no AU 2026 reforçam uma visão que a NTI Brasil vem trabalhando junto ao mercado.

A transformação digital vai além de implantar softwares, ela exige entendimento dos processos, análise dos desafios operacionais e definição clara dos objetivos que a organização deseja alcançar.

Isso significa aproximar engenharia, tecnologia, manufatura, gestão e estratégia de negócio.

Cada empresa possui um contexto diferente, uma maturidade distinta e desafios específicos. 

Por isso, não existe uma única resposta para todos os cenários.

Existe, sim, a possibilidade de construir jornadas estruturadas, começando pelos desafios mais relevantes e evoluindo de forma consistente ao longo do tempo.

 

O futuro da engenharia será construído pela integração

O Autodesk University 2026 deixou uma mensagem clara: a evolução da engenharia dependerá cada vez mais da capacidade de conectar dados, processos, sistemas e pessoas.

O case da Modular demonstrou como essa transformação já está acontecendo na prática.

A evolução do PLM, a consolidação do Digital Thread e o avanço da inteligência artificial criam novas oportunidades para melhorar a tomada de decisão, aumentar a produtividade e reduzir atividades que não agregam valor.

Mas a tecnologia, sozinha, não resolverá os desafios da indústria.

O sucesso dependerá da capacidade das organizações de estruturar seus dados, desenvolver suas equipes e construir processos que permitam transformar informação em resultado.

“O objetivo não é simplesmente automatizar mais tarefas ou adotar a próxima inovação. É permitir que as equipes dediquem mais tempo à análise, à resolução de problemas e à criação de produtos melhores.”

Paulo Santos 
Head de Design e Manufacturing na NTI Brasil

Na NTI Brasil, acreditamos que a engenharia digital deve ser construída a partir dessa conexão entre estratégia, tecnologia, processos e pessoas.

Porque o futuro da engenharia não será definido apenas pelas ferramentas que utilizamos, mas pela forma como conseguimos integrar conhecimento, dados e colaboração para gerar resultados reais.

TAGS: AU2026 Autodesk PLM Digital Thread Tecnologia PDM IA
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